AOF Edifício Raul Soares _ foto Paulo Valle-22 Continuar lendo. 

No coração da Raul Soares, um AOF vintage dos anos 90

Um dos locais mais emblemáticos da história da capital mineira, a Praça Raul Soares, inaugurada em pleno período da II Guerra Mundial,  teve o seu apogeu entre as décadas de 40 e 50, quando era referência de glamour na Belo Horizonte da época. Nos anos 50, recebeu aquele que seria um dos cartões postais da cidade, o Cine Candelária, hoje em ruínas, após um incêndio que o destruiu completamente em 2004.

Embora uma boa parte dos projetos da Arquitetura Oscar Ferreira em Belo Horizonte esteja localizado na região Centro-Sul, algumas construções na região central chamam a atenção pelo seu diferencial de engenharia e estética, que se tornou a marca do escritório. E uma delas, em particular, está localizada exatamente na Raul Soares e chama a atenção pelo seu aspecto retrô nos dias de hoje, porém exibindo grande vitalidade em suas linhas no que provavelmente era tendência de modernidade no início dos anos 90.

Este é o caso do edifício localizado na Praça Raul Soares, 339, cujo alvará para construção foi expedido em maio de 1992. Encomendado no início dos anos 90 pela editora responsável por um dos maiores jornais de grande tiragem de Minas Gerais à época, a Ediminas S/A, posteriormente foi vendido para um grupo religioso, a que pertence até os dias de hoje. Infelizmente, apesar das várias tentativas, não conseguimos confirmar outras informações sobre o nome e uso atual do prédio junto à Igreja que o administra.

Com 20 andares e inicialmente concebido para uso misto, o edifício parece funcionar atualmente apenas como prédio residencial até onde pudemos apurar. Sem acesso a outros dados, mas levando em conta o valor histórico incontestável da praça projetada pelo urbanista Aarão Reis, decidimos revisitar externamente a ocupação. E começamos desviando os nossos olhos para o elemento estrutural avermelhado que caracteriza o prédio na parede central e define as divisões internas do edifico. Ostentando esbeltez, foi revestido por pastilhas diversas, nas opções xadrez e vermelho nas fachadas ao longo dos seus vinte andares empilhados. Na base do espigão, dois andares emergem com projeções alternadas em leve sinuosidade que induz uma entrada ao edifício com teor pós-moderno, quase formando um sanduíche entre a sequência envidraçada da superfície central e as duas porções de ondas salientes.

Sob o olhar do músico e fotógrafo Paulo Valle, publicamos abaixo uma sequência de fotos do nosso AOF retrô, um gigante solitário do lado oposto da praça, de onde se destaca o Edifício JK, de Oscar Niemeyer.

AOF Edifício Raul Soares _ foto Paulo Valle-18

Imponente, o projeto vintage da AOF se destaca das demais construções na praça Raul Soares, em BH.

AOF Edifício Raul Soares _ foto Paulo Valle-12

A praça Raul Soares, revitalizada pela prefeitura de BH em 2007, sob um olhar próximo à fonte central.

AOF Edifício Raul Soares _ foto Paulo Valle-11

Ruínas do Cine Candelária, um dos cartões postais de Beagá nos anos 50/60  ao lado do AOF.

AOF Edifício Raul Soares _ foto Paulo Valle-5

Como se vê nesta foto, há grande beleza arquitetônica por onde quer que se olhe na praça.

AOF Edifício Raul Soares _ foto Paulo Valle-4

Solitário, o AOF chama a atenção para o detalhe  vermelho que o marca em toda a sua extensão.

AOF Edifício Raul Soares _ foto Paulo Valle-2

Concebido no início dos anos 90, o prédio apresentava linhas bastante modernas para a época.

Fotos: Paulo Valle